Uma percepção da arte

Nos idos de 1997, enquanto ainda apenas era estudante de psicologia e tinha 20 e poucos anos, aceitei o convite de um amigo muito querido e fui com a turma dele de educação artística para São Paulo numa viagem bate e volta. Fomos ver a exposição das obras de Picasso e visitar os principais museus da cidade.

As pinturas de Picasso eram variadas, tinham algumas muito boas e outras que achei razoáveis ou mesmo um pouco fracas. Até aí, problema nenhum. Então fomos ao Museu de Arte Moderna; imaginem o meu choque ao ver “obras de arte” que de artísticas não tinham nada! Já naquela época haviam obras fotográficas com nudez, bem como já haviam obras cujo sentido só dava para entender ao ler a legenda, ou muitas vezes, nem assim.

Como eu era leiga em arte, deixei para lá, apesar do meu senso de beleza e de significado terem sido profundamente ofendidos, e racionalizei tais obras como tendo mais uma função terapêutica para quem fez do que ter alguma função em si mesmas ou para quem as via. Então seguimos para o Museu de Arte de São Paulo. Ali, sim, vi obras magnificas; ficou muito claro para mim que houve algum tipo de ruptura na arte, pois até um certo período, TODAS AS OBRAS eram caprichadas, retratando as pessoas, a sociedade e a natureza de maneira romântica ou pelo menos realista.

Seguindo uma linha temporal, as obras “modernas”, num primeiro momento, pareciam ter tido um período áureo, aonde havia mais liberdade porém aonde a técnica continuava sendo uma preocupação do pintor, e, se não sempre a beleza, o sentido da arte era claro; um exemplo disso são os paineis de Portinari. Minha alma se elevou ao ver tantas obras fantásticas e ao mesmo tempo foi impossível não sentir um profundo senso de perda relacionado as obras contemporâneas serem tão inferiores no sentido de técnica e de estética.

Tenho a convicção de que ainda existem excelentes artistas espalhados pelo Brasil e pelo mundo, porem e’ uma pena que quem financia a arte hoje prefira investir em obras que “choquem” e que usem pouca ou nenhuma técnica do que em obras que elevem a alma e os sentidos. Isso empobrece a cultura e torna o mundo um lugar menos belo, uma galeria de arte de cada vez. Quem perde somos todos nos.

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